Me desculpem a ausência nestas semanas, estamos de volta. O texto abaixo deveria ter sido publicado em 20 de Fevereiro.
Já se passaram muitos anos que eu escrevi esta crônica e meus amigos Judson Canto e Adelor Vieira a publicaram no "Assembleiano" ( Publicação da Assembléia de Deus em Joinville que não existe mais ), mas creio que ela continua atual.
Pedro, que não tem Paulo, que não é rocha .
Para todos os fins e efeitos, registramos nesta ata a punição disciplinar de Pedro (...), e sua conseqüente suspensão, por um período indeterminado de tempo, de suas atribuições ministeriais. Secretaria da Convenção.
Não importa quem é Pedro, este não é o seu nome verdadeiro. Nem importa saber em que estado ocorreu, pois esta é só mais uma história que se ouve no fundo da bancada.
Verídica ? Sem dúvida ! Se não em todos os detalhes para não difamar os envolvidos; com certeza o é na excência – dolorosamente verdadeira.
A história deste Pedro lembra-me Mussorgiski em “Quadros de uma exposição”, concerto para piano que Ravel orquestrou; nele o compositor forma, com partes soltas e um fio condutor, descrições musicais onde prevalece um tom triste, melancólico. Eu vejo a história de Pedro assim, como quadros conduzidos por um fio que deveria ser de triunfo e vitória, mas que provado no fogo da verdade restou apenas um “... escapa-te por tua vida”.
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Primeiro Quadro...
Pedro novo, idealista, participante de uma comunidade pequena quer fazer tudo para agradar seu Deus.
– Moço novo de grande futuro – dizem dele. É então que aprende sua primeira lição: - não é o único.
Homeopaticamente aprende a dizer somente o que seus pares esperam ouvir, e o que seus superiores concordam. Almeja dizer o que pensa quando for um superior.
Está é a melhor fase de sua vida, e com certeza aquela de que sempre se lembrará. Não há serviço recusado, não há hora imprópria, tudo para o seu Deus... de graça !
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Segundo Quadro...
Pedro superior, mas superior moderado.
Destreinado, sem o benefício dos três anos aos pés do mestre perfeito que teve seu homônimo, é lançado às feras como líder de uma igreja em formação. “Pau para toda obra” é assistido pelo povo que o vê pregar, casar, construir templos e batizar. Aprende sozinho, e muitas vezes aprende errado. Aprende principalmente a ser auto-suficiente, a confiar nos resultados de seu próprio esforço.
Pedro idealista, sem tempo para se preparar para ciladas futuras.
Todo o seu dinheiro à serviço da causa, todo o dinheiro que entra à serviço da causa, tudo sob seu controle.
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Terceiro Quadro...
E o Espírito Santo dava o crescimento à igreja com Pedro ferrado no controle da comunidade.
Ocorre então uma sutil evolução onde o controle das decisões faz com que não seja mais um par entre os pares, mas um igual entre os líderes. Sua autoconfiança começa a traí-lo, o melhor para si é automaticamente o melhor para a comunidade.
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Quadro Quarto...
Este último quadro é muito semelhante ao anterior. Distingui-se dele apenas pelas cores: - Só estão presentes as cores de Pedro, as do Espírito Santo sumiram. E as ovelhas balem tristes até que o dono vem ver o que acontece e providencia a saída de Pedro . O motivo que detona da dispensa podem ser vários: - Adultério, apropriação indébita, raiva incontrolada, ... A saída é sempre por justa causa!
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Olhando os quadros ocorre-me que seu homônimo teve Jesus a perguntar “ Pedro tu me amas ? “; e Paulo a lhe resistir em franqueza quando esteve errado.
Será que o nosso Pedro não teve a mesma chance ? Ou crucificou Jesus e degolou Paulo ?